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Especialistas sugerem formação e mudanças no currículo para melhorar ensino da matemática

10.11.17 | Por FENEP | Categoria: Destaque - Geral

A Base Nacional Comum Curricular, prevista no Plano Nacional de Educação, deve ser homologada este ano e recebeu elogios de palestrantes

Em seminário internacional na Câmara, educadores brasileiros e de outros três países concluíram que é preciso investir na formação continuada de professores, mudar o currículo das escolas e atualizar os livros didáticos para reduzir um dos principais gargalos da educação no Brasil, o ensino de matemática.

Os especialistas defenderam mudanças no ensino de matemática e nos livros a partir dos parâmetros previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), divulgada em abril pelo Ministério da Educação (MEC). A proposta está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Educação e deve ser homologada até o fim do ano pelo MEC.

O seminário, promovido pela Comissão de Educação e pela Frente Parlamentar Mista da Educação, reuniu educadores brasileiros e especialistas da Inglaterra, Finlândia e China.

PISA
O pano de fundo das discussões foram os resultados do Brasil na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), aplicado em 2015 e divulgado no ano passado. Em uma lista de 70 países, o país ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.

A prova é aplicada de três em três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em matemática, enquanto a média das notas dos países da OCDE foi de 490 pontos, a do Brasil foi de 377, atrás do México (408), Colômbia (390), Costa Rica (400), Uruguai (418) e Chile (423) – muito distantes dos primeiros colocados: Cingapura (564) e Japão (532).

“Se pegarmos os resultados dos exames internacionais e nacionais a gente vê que precisa avançar mais. Isso é vital para o futuro do país”, disse o deputado Alex Canziani (PTB-PR), presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação.

O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), da Comissão de Educação, relacionou o ensino da matemática ao crescimento da economia. “Na Inglaterra, áreas ligadas à matemática são responsáveis por quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) e 10% dos empregos”, disse.

Base curricular
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é uma exigência do Plano Nacional de Educação (PL 8035/10), o PNE, aprovado pela Câmara e pelo Senado. O plano estabelece metas para todas as etapas do ensino.

A base não define o currículo das matérias, mas estabelece os parâmetros a partir dos quais as escolas, estados e municípios vão definir os currículos. Em relação à matemática, estabelece o desenvolvimento de habilidades e competências de raciocinar e argumentar de modo a solucionar problemas usando ferramentas matemáticas. Isso com base na análise de situações e problemas da vida cotidiana.

A base foi elogiada por Sue Pope, diretora do Departamento de Desenvolvimento Profissional e Inovação Educacional da Universidade de Manchester, na Inglaterra. Ela considera, porém, que a mudança nos parâmetros tem que ser acompanhada pela formação continuada dos professores, pela aplicação de exames adequados aos resultados esperados pelo BNCC e por um gerenciamento efetivo desses resultados.

Enem
“A proposta é fantástica, mas professores têm que estar capacitados e comprometidos para que possam ensinar os alunos a aprender melhor”, disse. Ela sugere que testes como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passem a avaliar as competências previstas na base curricular como maneira de estimular as escolas a adaptarem seus currículos para as novas exigências.

Algumas instituições de ensino, como a Escola SESC de Ensino Médio, no Rio de Janeiro, já adaptaram seus currículos com base na BNCC, a partir das cinco unidades temáticas definidas pela base curricular: números; álgebra; geometria; grandezas e medidas; e probabilidade e estatística.

Educação financeira
A partir daí, até educação financeira foi incluída no currículo, como explicou o professor Ulicio Pinto Júnior, coordenador de matemática da Escola SESC. “Com base nisso, mudamos na escola, já que essas unidades não podem ser fragmentadas e temos que pensar principalmente na formulação de problemas”, disse.

Ele defendeu um maior compartilhamento de experiências como essa para incentivar outras escolas a mudarem também seus currículos, por meio de uma plataforma colaborativa.

A professora Kátia Stocco Smole, diretora do Grupo Mathema, estima que a base nacional curricular pode levar até oito anos para ser efetivamente aplicada e provocar mudanças na forma como a matemática é ensinada no Brasil.

“O BNCC é um avanço, mas não dá para jogar nisso toda a responsabilidade. Se não tiver uma política de implantação apoiada pelo Congresso não vamos a lugar nenhum e só denunciar os resultados de exames como o PISA ou apontar o professor como culpado não leva a lugar nenhum. Como o professor vai ensinar o que ele não sabe?”, perguntou.

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