Levantamento do Todos pela Educação, feito pelo Ibope, mostra que o ensino de crianças e adolescentes é mais lembrado agora como prioridade do que nas eleições de 2006
Camila Guimarães
Nos últimos quatro anos, a população brasileira trouxe para o topo da lista de prioridades colocou a educação básica no topo da lista de áreas prioritárias para o desenvolvimento do país. Nas últimas eleições presidenciais, em 2006, apenas 13% do eleitorado apontava essa área como relevante – a educação básica ficou em sétimo lugar na lista. Uma pesquisa do movimento Todos pela Educação e da Fundação SM, realizada pelo Ibope em maio, mostra que, agora, 28% dos eleitores acreditam que o próximo presidente deveria dar atenção especial para essa questão. Junto com drogas e emprego, a educação básica passou para o terceiro lugar do ranking de prioridades, e ficou atrás somente de saúde e segurança pública. "É um avanço importante para consolidar um senso crítico da população sobre questões que envolvem a educação", afirma Priscila Cruz, diretora do Todos pela Educação.
O levantamento foi feito em todo país, com eleitores acima de 16 anos. O objetivo era fazer uma avaliação do atual governo – e mais especificamente sobre a educação básica - além de levantar as principais preocupações dos eleitores que merecem atenção do próximo governo.
Em relação à qualidade da educação básica, além da percepção geral de que o assunto deveria constar da agenda dos presidenciáveis, 51% dos entrevistados apontam que esta área está melhorando, mas em ritmo lento. Em relação à mesma pesquisa feita em 2006, o percentual de entrevistados que a consideram ótima passou de 25% para 34%. A parcela dos que acham a qualidade ruim/péssima diminuiu de 28% para 21%. Esses resultados podem indicar que também melhorou a percepção da população sobre a eficiência da educação básica – cuja melhoria acontece no longo prazo, mais devagar – para resolver outras áreas apontadas problemáticas, mas que têm soluções mais rápidas, como emprego e renda.
Na opinião dos entrevistados, o próximo governo deveria tomar medidas principalmente para melhorar o salário dos professores (41%), equipar melhor as escolas já existentes (29%) e criar mais escolas profissionalizantes (28%). Além disso, a expectativa é de mais segurança nos estabelecimentos de ensino (28%) e construção de mais salas de aula (26%).
Entre os dez maiores pontos fracos desta área, cinco deles têm ligação com os professores. Quarenta e seis por cento das pessoas acreditam que o salário dos professores é um ponto fraco. Outros 46% também apontaram a segurança dentro da escola. Os outros pontos fracos que mais apareceram foram, nesta ordem, qualificação dos professores, número de professores, qualidade do ensino, número de escolas e vagas, motivação dos professores, transporte e merenda. A merenda, por sinal, aparece como a mais lembrada como ponto forte da educação básica – especialmente nas classes C/D.
O Todos pela Educação destaca outro resultado da pesquisa, que foi considerado uma surpresa. Mais pessoas conhecem hoje essas avaliações do que em 2006 (a taxa dos que nunca tinham ouvido falar sobre elas caiu de 29% para 13%) e melhorou a impressão que a população tem dos exames. Setenta por cento dos entrevistados acreditam que eles ajudam a melhorar a qualidade do ensino. Em 2006, esse grupo era 58% do total.
FONTE: PORTAL REVISTA ÉPOCA - 09/06/2010
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