COMUNICADO URGENTE! Nosso posicionamento sobre a possibilidade de greve em 14/06

 
Brasília, 12 de junho  de 2019

Prezado Diretor,

Como é do conhecimento de todos e noticiado pela imprensa, que algumas entidades estão convocando uma greve para o dia 14/06/2019. Diante disto, a Federação Nacional das Escolas Particulares - FENEP encaminha a seguinte orientação:

A situação torna oportuno esclarecer que, de acordo com a sua identidade e vocação, Federação Nacional das Escolas Particulares e seus sindicatos, que representam mais de 40 mil Instituições de ensino com mais de 15 milhões de estudantes, valoriza a liberdade de ensino, de pensamento e a livre manifestação de opinião. No entanto, considerando a liberdade que lhes é conferida no contexto democrático, independentemente de quais sejam as razões alegadas, entendemos que as escolas não precisam recorrer a paralisações como forma de manifestação institucional.

A tarefa de educar envolve uma atitude de cuidado com as novas gerações e seu futuro. Ao mesmo tempo em que prepara os jovens para a vida adulta, para exercerem a cidadania de forma responsável, convém cuidar para que encontrem razoavelmente em ordem a sociedade e o mundo em que viverão.

As próximas gerações deverão experimentar intensas mudanças que transformarão modos de vida, de produção, de trabalho e de organização das relações. Terão como desafio responder e encaminhar de forma adequada à revolução tecnológica, cada vez mais ao alcance das mãos.

Os jovens brasileiros terão como legado um país a reconstruir. Será deles o desafio de superar o quadro de injustiças sociais e assegurar a reinserção do país na economia mundial.

A insustentabilidade e desigualdade do atual sistema de Previdência Social já foi exaustivamente demonstrada, em quadro agravado de forma inexorável por projeções demográficas que incluem o aumento da longevidade. Em nossa perspectiva, se há aqui um conflito de interesses, a polaridade em que ele se estabelece não decorre de divergência entre classe social. O que está em jogo é, sobretudo, um conflito de interesses entre gerações: a necessidade futura dos jovens contraria a conveniência mais imediata dos adultos.

Como educadores, entendemos que se não tivermos condições de legar aos jovens o país e sua economia mais organizados, convém ao menos que lhes tenhamos assegurado informações claras para que possam discernir onde reside de fato o interesse deles.

A FENEP respeita a liberdade de pensamento e a livre manifestação de opinião, mas entende que a honestidade intelectual é a moldura que confere o contorno para a liberdade de cátedra.

À despeito da relevância e do sentido que possa inspirar a convocação à paralisação, cada escola tem o direito de escolher não recorrer a este recurso como forma de manifestar-se ou posicionar-se.

Assim sendo, sugerimos que as escolas particulares busquem manter o funcionamento, recebendo os alunos e priorizando o cumprimento do contrato firmado com a família de seus alunos. Não podemos perder de vista a responsabilidade com o calendário escolar anual. Viabilizar este cenário deve ser o propósito institucional de cada escola.

Naturalmente, a normalidade do dia escolar dependerá, em larga medida, da presença de professores e funcionários. A orientação é para que a escola desconte o salário de quem não compareça ao trabalho.

A FENEP está ciente de que reúne uma comunidade heterogênea e diversa, e que   a sua postura pode eventualmente não encontrar sintonia por parte de alguns, mas precisamos orientar as escolas, pois elas enfrentam diariamente a relação com a sociedade.

 

 Ademar Batista Pereira

Presidente


 

SRTVS Qd 701, BLC 2 Centro Empresarial Assis Chateubriand Salas 207 a 213 CEP:70340-906- Brasília DF