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80% das escolas privadas reabrem na cidade de SP nesta quarta e apenas uma municipal; especialista vê 'desigualdade'

A maioria das escolas reabertas nesta quarta-feira (7) na cidade de São Paulo pertence à rede privada de ensino.

No final de setembro, a Prefeitura de São Paulo autorizou o retorno para atividades extracurriculares como aulas de reforço, esporte, cultura ou laboratórios de informática.

Apesar da liberação, na rede municipal, apenas uma das cerca de quatro mil instituições reabrir. Na rede estadual da capital paulista, apenas 304 das 1.086 escolas confirmaram a reabertura nesta quarta.

Já na rede privada, o índice de reabertura chega a 80%, segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp). Cerca de 3.200 instituições de ensino, de 4 mil, abriram as portas nesta quarta.

Para Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (Ceipe) da FGV, o fato de a maioria das particulares retornar e como municipais não reabrirem na cidade de São Paulo “aumenta a desigualdade educacional, que já era muito grande antes da pandemia “.

Ela destaca que o Brasil é um dos países que está ficando mais tempo longe das escolas, e que mesmo alguns que hoje já vivem uma segunda onda da epidemia, como a Espanha, consideraram a educação como serviço essencial e mantiveram escolas abertas, fechando na medida em que há algum contágio.

“Não dá para ficar com alguns discursos que temos ouvido de que só voltaria [as aulas] quando tiver vacina. Não vamos poder deixar como nossas crianças que mais precisam do efeito escola longe da sala de aula tanto tempo”, disse Costin.
Nesta quarta, por exemplo, no colégio particular Ana Tavares, em Perus, Zona Norte da capital, os alunos do Fundamental receberam acolhimento psicológico e atividades lúdicas com o professor de Educação Física. Nos próximos dias, estão previstas aulas de reforço de português e matemática.

Também na rede privada, no colégio Portinari, no Campo Limpo, na Zona Sul, os alunos devem receber acolhimento socioemocional com psicólogos, aulas de reforço e capoeira. Cada sala terá cerca de 4 alunos.

Desigualdade entre públicas e particulares na Grande SP
Em algumas cidades da Grande São Paulo, uma disparidade entre alunos da rede pública e privada é ainda maior, já que o retorno das aulas presenciais dos ensinos infantil, fundamental e médio irá acontecer apenas nas escolas particulares.

É o caso, por exemplo, de Osasco, Cotia, Barueri, Itapevi, Franco da Rocha e Itapecerica da Serra, onde uma rede municipal continua fechada, mas um retorno particular nesta quarta.

Questionada pelo G1, a Prefeitura de Barueri informou que “avalia que não haverá desequilíbrio de oportunidades para os alunos que não retornam presencialmente neste momento, pois as aulas remotas têm sido uma valiosa ferramenta de aprendizagem”.

A Prefeitura de Osasco disse que “os alunos da rede municipal contam com uma plataforma ‘Escola em Casa’ e caderno de atividades impresso, portanto, as aulas de forma online”.

Já a Prefeitura de Cotia disse, em nota, que as “escolas da rede particulares possuem mais agilidade e flexibilidade para substituir seu corpo docente, caso algum funcionário seja infectado, de maneira que não haverá prejuízo aos alunos. Além disso, a rede privada tem melhores condições para aquisição de EPI e material para combater a disseminação do vírus, ao passo que o poder público está obrigado a seguir o rito legal, que por vezes é demorado “.

A administração municipal disse ainda que está tomando todas as medidas para não ocorra um “suposto desequilíbrio em desfavor dos alunos da rede municipal”.

Como outras prefeituras citadas não recebidas respondido, até por volta de 9h30 desta quarta, se considera que isso pode aumentar a disparidade educacional entre os alunos da rede pública e privada.

Alguns municípios da Grande São Paulo, além da rede particular, também autorizaram a volta da rede estadual.

Regras para reabertura na capital
As regras para a volta às aulas na cidade de São Paulo foram publicadas no Diário Oficial no dia 26 de setembro. Entre as determinações estão: normas de higiene, respeito ao distanciamento na entrada, na saída e nos intervalos e o uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) por alunos e professores. Além disso, as instituições só atendem até 20% da sua capacidade.

Nas escolas municipais cada aluno só pode frequentar o local até duas vezes por semana por até 2h e serão ofertadas, preferencialmente, as seguintes atividades:

  • atividades culturais;
  • cursos de idiomas;
  • atividades esportivas que não sejam coletivas, nem envolvam contato físico;
  • música;
  • oficina de culinária e de contos literários;
  • teatro de fantoches;
  • explorar visual;
  • atividades recreativas;
  • atividades de reforço escolar, principalmente, de português e matemática.
  • Acolhimento.

Ensino Superior
As aulas regulares só frequentam as retomadas na capital paulista para alunos do ensino superior.

De acordo com o sindicato das entidades mantenedoras de normas de ensino superior no estado de São Paulo (Semesp), 90% das 148 universidades da capital paulista não retomarão como aulas presenciais.

Nos demais níveis de ensino, uma retomada das aulas regulares definida após 10 de novembro.

Aulas regulares
Nesta quarta-feira (7) o estado de São Paulo autorizou a reabertura de instituições de ensino público e privado do estado mais de 6 meses desde que o governo de São Paulo anunciou a suspensão do ensino presencial para conter a disseminação do novo coronavírus .

A autorização do governo vale para todo o estado, pois todos os municípios estão há pelo menos 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo de flexibilização econômica. No entanto, cada prefeitura tem duração para decidir se irá reabrir ou não, e se será oferecido o ensino regular ou apenas atividades extracurriculares. Caso uma gestão municipal autorize, cada escola pode recurso por retomar as atividades agora ou não.

Em todo o estado, 361 das 5.100 escolas estaduais tinha programado reabrir nesta quarta-feira, segundo informado o governo do estado nesta terça-feira. Somadas as 339 unidades que já foram abertas em 8 de setembro, quando o governo público de São Paulo autorizou que instituições de ensino das redes privada e oferecesse aulas de reforço escolar, tutoria e atividades esportivas, o número entre a 700 escolas, 13, 7% do total.

No início da tarde desta quarta, o governo do estado atualizou os números, e disse que 904 escolas estaduais reabriram, no universo de 219 municípios, o que sobe para 17% do total das 5.100 escolas.

Apesar da permissão do retorno dos ensinos infantil e fundamental para as redes municipal e particular, uma rede estadual retoma apenas as aulas regulares do ensino médio e educação de Jovens e Adultos (EJA) nesta quarta-feira (7). A volta dos estudantes do ensino fundamental da rede estadual só deve acontecer em 3 de novembro.

Fonte: G1

Materia publicada em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/10/07/rede-privada-e-maioria-na-reabertura-das-escolas-na-cidade-de-sp-e-processo-amplia-desigualdades-aponta-especialista.ghtml

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