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“A escola precisa criar uma cultura voltada à saúde mental”

Afirmação foi feita pelo psicólogo, especialista em educação e desenvolvimento humano, Rossandro Klinjey, em palestra no VII Congresso de Educação da FENEP

A saúde mental não deve ser tratada somente em consultório médico, é preciso cuidar do sujeito onde quer que ele esteja e haja sofrimento, sobretudo, na escola. A opinião é defendida pelo psicólogo clínico, especialista em educação e desenvolvimento humano e cofundador da Educa 21, Rossandro Klinjey. Para ele, a escola deixou de ser lugar somente de aquisição de conhecimento e passou a ser espaço para troca emocional, relacionamento e afetos. “A escola não é mais o lugar de gerar competências para competição, mas sim ajudar o aluno a enfrentar a maior competição da sua vida, que não é o Enem, mas sim a sua própria vida”. O especialista falou sobre o tema na palestra ‘Gestão escolar em tempos de crise familiar’, durante o VII Congresso de Educação da FENEP, no dia 02 de julho. A conversa teve a mediação da ex-presidente do SINEPE/PR e mantenedora da Escola Atuação de Curitiba, Esther Cristina Pereira.

Clique aqui e assista à palestra na íntegra.

Segundo o palestrante, a crise que a sociedade enfrenta se deve porque o modelo antigo que se usava para nortear as ações para mudança de comportamento não funciona mais ou está sendo questionado. E o modelo novo não está capacitado para orientar o presente. “Por isso, somos tomados pela angústia, que é não ter respostas para as situações cotidianas”, explicou o psicólogo. O problema, segundo ele, é que nesse cenário alguém tem que ser responsável por decidir qual caminho seguir. “Isso deveria estar sendo feito por um adulto, mas o que tem ocorrido é que ele não tem conseguido fazer essas escolhas. Então, a família começa a terceirizar esse papel, muitas vezes, para os filhos. Isso explica o fato de termos uma epidemia de suicídios, porque dá um sentimento de abandono para essas crianças e adolescentes”.

Na visão de Klinjey, a escola é um recurso único para ajudar os alunos e famílias a melhorarem a saúde mental quando estimula o aprendizado e as competências emocionais. Por isso, precisa ter uma cultura voltada à saúde mental, não somente para a prevenção, mas para construir competências nos estudantes, para que quando a dor aconteça, eles saibam como agir. E esse trabalho envolve também as famílias. “Os pais estão em crise e perdidos, precisamos ajudá-los e não criticá-los. Temos que olhar mais com sentimento de atitude do que de diagnóstico. Não é mais novidade que temos problemas nas relações familiares, então o foco precisa estar na ação”, defendeu. Ele ressaltou que pesquisas apontam que metade dos transtornos mentais dos adultos começam na adolescência. “Esse público está na escola, mais tempo lá do que com a família”, lembrou.

Entre as sugestões de como desenvolver esse trabalho, o especialista acredita que o foco deve ser em uma intervenção contínua, que inclui desenvolvimento de aprendizagem socioemocional para toda a escola. “Ações pontuais não resolvem, como uma palestra, ou uma oficina. O conhecimento precisa ser repetido até fixar”, destacou.

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