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Banalidade do mal precisa ser enfrentada no ambiente escolar

Em palestra no VII Congresso de Educação da FENEP, filósofo defende que escolas invistam em excelência humana e acadêmica para trabalhar o problema

Desde o retorno às atividades presenciais, são comuns relatos de indisciplina e negação às regras e normas de convivência no ambiente escolar. Na visão do filósofo, teólogo, professor e consultor educacional, Jean Sidcley Álvares Teixeira, o que se tem visto nas instituições de ensino é uma postura generalizada de amoralidade, a qual ele traduz como ‘banalidade do mal’. O especialista falou sobre o assunto em palestra no VII Congresso de Educação da FENEP, no dia 1º de julho. A palestra teve a participação da presidente do SINEPE AM e presidente do Grupo Literatus, Elaine Saldanha.

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Teixeira iniciou sua fala relembrando como era a postura dos estudantes frente a um ato de indisciplina, no seu tempo de estudante. “Quando fazíamos algo errado e sabíamos que estávamos fazendo errado, como colar em uma prova, por exemplo, éramos reprimidos e nossa reação diante a esses pequenos erros era de medo. Hoje, vemos uma reação amoral nos estudantes. Quando refletimos com um aluno sobre uma atitude errada que ele fez, ele reage banalizando a repressão feita. São questões que não podem ser negligenciadas por quem trabalha com a formação de pessoas”, alertou o palestrante.

O professor trouxe para reflexão a história de vida de Adolf Eichmann, retratada no livro de Hannah Arendt “Eichmann em Jerusalém – Um relato sobre a banalidade do mal”. Eichmann foi integrante do alto escalão do partido nazista, aliado de Hitler, e foi condenado por ser o responsável por mandar milhares de judeus para campos de concentração e extermínio. Hannah acompanhou o seu julgamento e ficou perplexa pelo fato de que Eichmann era uma pessoa “comum”, um aluno mediano na sua época escolar, que não trazia sinais de psicopatia ou qualquer outro transtorno psiquiátrico. Ao analisar a sua trajetória de vida e as barbáries que ele cometeu durante a Guerra, a autora traz a hipótese de que o mal talvez esteja intimamente relacionado com a ausência de pensamento daquele que o pratica. “Quantos alunos com esse perfil podem estar passando despercebidos nas nossas escolas? Esse tipo de aluno “mediano” não recebe atenção do professor porque “não dá trabalho”. Mas, como ele não se posiciona, não sabemos o que pensa, o que sonha, não sabemos nada dele”, alertou o palestrante. “Para Hannah, faltou na vida de Eichmann (e isso pode acontecer no chão da nossa escola) um estímulo para que ele buscasse o autoconhecimento, para que pudesse identificar seus valores”, complementou o professor.

O palestrante defendeu que o antídoto para superar a mediocridade e a banalidade do mal é investir em excelência humana, acadêmica e cristã (no caso de escola confessional). “Não conseguiremos lidar com essas situações graves que vêm acontecendo nas escolas se não tivermos clareza do nosso trabalho, da nossa missão, visão e dos valores. Isso precisa estar muito bem trabalhado com todos na instituição. E os valores não podem ser negociáveis, nem mesmo com as famílias”, pontuou Teixeira. Para ele, é fundamental repensar o projeto pedagógico a partir dessa perspectiva, assim como a função do professor. “Precisamos de educadores que cuidem, que disciplinem e que formem para uma autonomia dos estudantes”, salientou.

 

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