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Cenário da música como parte do currículo escolar é tema do Podcast #9

Eduardo Wolff conversa com especialistas na série "Educação Muda o Mundo", produzida pela FENEP

O incentivo de atividades artísticas nas escolas, em especial a música, vai muito além do processo de formação de adultos preparados para as novas exigências do mercado de trabalho. Este foi o assunto do episódio #9 da série de podcasts da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) “Educação Muda o Mundo”, que já está no ar. O bate-papo com o tema “O cenário da música como componente curricular nas escolas”, foi conduzido pelo jornalista Eduardo Wolff e pode ser acessado no Spotify, Deezer ou Apple Podcasts.

O ensino de música nas escolas de educação básica se tornou obrigatório a partir da aprovação da Lei Nº 11.769 de 2008. Apesar da determinação, a realidade mostra que múltiplos fatores e dificuldades fazem com que a aplicação da lei não seja efetiva, apesar dos avanços já alcançados desde então. 

Segundo o Censo da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), entre 2015 e 2019, o indicador de adequação da formação docente demonstrou que o pior resultado ocorre para a disciplina de artes, em que apenas 37,4% das turmas são atendidas por docentes com formação adequada. 

Na visão da diretora do Instituto Estadual de Música (IEM) do Rio Grande do Sul, Adriana Sperandir, uma das entrevistadas do episódio, a falta de qualificação técnica de professores de música contratados na rede pública e a resistência decorrente da falta de investimentos na gestão pública municipal, são alguns dos principais problemas. “O Estado tem uma grande manifestação sobre isso, mas, às vezes, não é acatado pelos municípios. Sabemos que o bom profissional e com capacidade técnica precisa ser bem remunerado e valorizado, mas o que vemos é a contratação de músicos sem qualificação adequada para formar cidadãos com pensamento crítico e capacidade intelectual a partir de conteúdos musicais de qualidade”, disse.

Para o músico e educador musical, Cristiano Mundt, também participante do podcast, a música nas escolas vai muito além de oferecer apenas conhecimento musical. “Não trabalhamos só música. São atividades em grupo para estimular jovens a aprender a ouvir, respeitar, trabalhar em equipe, melhorar interpretação, expressão, noção de ritmo e de corpo, entender mais sobre quem se é e outras questões.Tudo isso é resultado do trabalho musical e essa, infelizmente, não é a realidade que temos”, afirmou. Mundt analisa que a música de massa, que geralmente são as músicas que viralizam nas redes sociais, reflete como é o imediatismo das relações hoje. “Falta qualificação e metodologia nas disciplinas de música nas escolas. Talvez, o músico executante não tenha a preocupação de formar um cidadão crítico a respeito de música também. Portanto, o acesso dos jovens à música ainda é algo muito superficial”, pontuou.

Na opinião dos especialistas, a música nas escolas é importante para formar pessoas que sejam capazes de perceber a arte como um componente fundamental na vida humana. Entre as dificuldades encontradas para implementar a disciplina, estão a falta de espaço específico para aulas, de materiais específicos, de planejamento do tempo para as aulas e de atuação conjunta do professor especialista com o pedagogo em sala de aula. “A maioria das escolas contam com a iniciativa isolada de professores ou coordenadores. Na minha avaliação, o cenário seria diferente com políticas públicas nacionais”, ressaltou.

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