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Como a Estônia virou líder europeu em ranking de educação

Além de ter a melhor educação do ocidente, segundo avaliação do Pisa, o país é considerado a nação mais digital do planeta

Na última edição do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), avaliação trienal realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a Estônia apareceu em terceiro lugar, atrás apenas de Cingapura e Japão. O pequeno país, de um pouco mais de um milhão de habitantes, ganhou o título de melhor educação do Ocidente. A Estônia também chama a atenção do mundo pelo seu forte desenvolvimento na área digital. Além de ser a terra do Skype, 99% dos seus serviços públicos são digitais.

A história recente do país é marcada por lutas. Durante séculos, o povo estoniano teve suas terras dominadas por outros povos, principalmente suecos e russos. O país foi criado como Estado autônomo apenas em 1917. De 1940 a 1991, foi ocupado e anexado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Ao reconquistar sua independência em 1991, passou por uma grande revolução em todas as áreas para recuperar a renda per capita da população. Na área educacional, as grandes mudanças estiveram centradas na oferta de ensino público, gratuito e próximo do local de residência, currículo nacional mas com liberdade e flexibilidade para adaptação por escolas e professores; qualificação docente; e infraestrutura escolar e digital.

O sistema educacional no país é gratuito e financiado pelo Estado, o qual contribui com 6,8% de seu PIB para o setor. Um dos diferenciais do país é a autonomia concedida às escolas na organização curricular e na própria gestão. “Os professores podem escolher os livros didáticos e os métodos de ensino que consideram apropriados para os seus objetivos e focos de estudo. Já os diretores podem demitir e contratar novos professores, alocar como preferirem o orçamento escolar e avaliar a necessidade de treinamento dos professores”, explica Raphael Fassoni, cofundador do Estônia Hub, empresa focada em acelerar a transformação digital e gerar novos negócios e parcerias entre Brasil e Estônia nos setores público e privado.

Um dos projetos de destaque nas escolas da Estônia é o Programa de Empreendedorismo e Carreira Educacional EDU ja Tegu (Success and Action), lançado em 2016 pelo Ministério da Educação. O objetivo da iniciativa é dar aos estudantes a oportunidade de vivenciar o empreendedorismo na prática e desenvolver as competências empreendedoras que podem ser usadas por toda sua vida em diferentes contextos. O Programa também permite o estudante ter um papel mais ativo no planejamento da sua carreira. Atualmente, o projeto tem uma abordagem mais ampla que foca no desenvolvimento da proatividade e do mindset empreendedor dos jovens. Até 2021, a educação empreendedora já era implementada em 381 escolas de educação geral, o que representa 71% de todas elas.

Conforme Fassoni, a estratégia educacional estoniana tem como prioridade a Lifelong Strategy 2020, que entende que o aprendizado do indivíduo deve ser uma parte integral de toda sua vida, independente da sua idade. “O programa busca entender o papel de todas as partes envolvidas no processo de aprendizagem e estimulá-lo de diversas formas, seja através de instituições culturais, como museus, ou de maneiras mais tradicionais, como cursos e centros de ensino”, explica.

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