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Escolas desiguais precisam de tratamento diferente na volta às aulas Instituições privadas não podem ser punidas pela crise do setor público

ROSANE DE OLIVEIRA

Governos resistem em adotar tratamento diferenciado para instituições privadas, em nome de isonomia que não existe

Nunca haverá unanimidade em um tema complexo como a volta às aulas depois de cinco meses de paralisação pela pandemia. Os governos de um modo geral — e o do Rio Grande do Sul em particular — resistem em adotar tratamento diferenciado para as escolas privadas, em nome de uma isonomia que não existe em tempos de paz.

O que se viu nas universidades, com a PUCRS, por exemplo, adotando aulas remotas já em março e a UFRGS só começando para a maioria dos cursos nesta quarta-feira (19), atesta que não é o calendário que faz a diferença. No Ensino Fundamental e Médio também não há padrão para o ensino a distância. O Estado começou bem depois das escolas particulares.
Se a rede particular tem condições de adotar protocolos rígidos de segurança e se há pais dispostos a mandar os filhos para a escola que escolheram, qual o sentido de manter um calendário unificado? Respeitado o direito das famílias que quiserem continuar com aulas remotas para os filhos, por que não adotar um modelo flexível?

O argumento mais usado é que os alunos de escolas públicas ficariam em desvantagem se fosse autorizado o retorno às aulas presenciais na rede privada. Só que a desvantagem já existe nas grandes cidades, salvo exceções que confirmam a regra. Em muitas cidades pequenas só existe escola pública e os resultados nos testes que medem a aprendizagem nada fica devendo a instituições de municípios vizinhos. Como o governo estadual não tem como criar um calendário específico para cada escola que administra, faz sentido uma regra unificada para sua rede, mas não é razoável que se imponha tratamento igual a situações desiguais.
Mais de 90% dos prefeitos rejeitaram o calendário proposto pelo governo, que começaria em 31 de agosto pela Educação Infantil, que é opcional. Nenhum pai ou mãe é obrigado a mandar o filho para uma creche, mas há os que precisam de um lugar seguro para as crianças porque para sobreviver têm de trabalhar. Leite acena com o levantamento da restrição, para que cada município decida o que é mais adequado à sua realidade.
Hoje, o sindicato que representa as escolas privadas diz que as instituições têm condições de retomar como aulas em segurança. Se o Estado não tem ou é mais lento, por que punir quem pode retomar as aulas em comum de acordo com quem contrata seus serviços?

Aliás
Públicas ou particulares, as escolas precisam de preparar a volta às aulas tendo em mente que pode ser necessário retroagir a qualquer momento, se um recrudescer de pandemia. Israel, que adotou um dos protocolos mais rígidos do mundo nas escolas, teve de voltar atrás dias depois, porque o número de casos aumentou.

Fonte: Gauchazh

Publicada em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/rosane-de-oliveira/noticia/2020/08/escolas-desiguais-precisam-de-tratamento-diferente-na-volta-as-aulas-cke0jlg3y000t013gh85yu3c4 .html

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