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Escolas particulares começam a implementar o novo Ensino Médio

O ano de 2022 está sendo um marco na história da educação brasileira, com o início da implementação do novo Ensino Médio. Depois de muitos anos de estudos e preparação dos sistemas de ensino, o novo currículo chega nas escolas particulares e públicas, a partir deste ano, com novas oportunidades para os jovens, mas também desafios para as instituições. Ampliação no número de horas do currículo, formação de professores, readequações de carga-horária dos docentes, novos contratos de trabalho e gestão de custos são alguns dos temas que estão na pauta do ensino privado. Para o coordenador do Colégio de Assessores Pedagógicos da Escola Particular (CAPEP), da FENEP, Pedro Flexa, apesar dos inúmeros desafios para a implementação, as escolas particulares estão empenhadas em proporcionar uma escolaridade relevante para os seus alunos. “Elas têm muita clareza de que a Reforma Curricular do Ensino Médio é pertinente e vai ao encontro do direito dos estudantes. É grande o engajamento do setor em fazer a Reforma ‘acontecer’, salienta o dirigente, que também é vice-presidente do Sinepe Rio.

Uma das principais mudanças no currículo é a inclusão dos itinerários formativos – um conjunto de disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho – no qual os estudantes poderão escolher, a partir do seu interesse. “Ao conceber os seus Itinerários, cada escola estará expressando, de forma mais evidente, a sua identidade e vocação institucional. As possibilidades são muitas. A depender da equação pela qual se dará a integração entre conteúdos de diferentes disciplinas e “Áreas do Conhecimento”, o novo currículo irá dialogar com o “Projeto de Vida” e com o interesse profissional dos estudantes. Além dos Itinerários que levam para as graduações, a Reforma valoriza também a Formação Técnica e Profissional de Nível Médio”, explica Flexa.

Na grande maioria das instituições essa oferta vai ocorrer a partir de 2023, quando o aluno ingressar no segundo ano do Ensino Médio. “Embora tenhamos um cenário de crescente diversidade, temos visto uma tendência para que a primeira série seja um ‘ciclo básico’, ao longo do qual será trabalhado o Projeto de Vida e a oferta de diferentes Itinerários na segunda série”, destaca Flexa.

Quanto à definição dos itinerários por parte das escolas, Flexa acredita que não deverá haver um comportamento padrão no ensino privado para essa oferta. “O sentido da Reforma é justo o de promover a flexibilidade e a diversidade. Durante 50 anos o Brasil praticou um currículo unitário, padronizado. A experiência foi feita, e os resultados não são bons. O momento atual traz para cada escola a oportunidade de desenvolver seus traços de identidade e a vocação de seu Projeto Educativo. Isso contribuirá para ampliação do leque de ofertas ao alcance dos estudantes e da sociedade em geral”, avalia o educador.

O diretor da Fenep e presidente do Sinep MG, Winder Almeida, conta que em Minhas Gerais, algumas instituições, no final do ano letivo de 2021, já apresentaram alguns modelos de itinerários formativos para os estudantes que estavam cursando o 9º ano do Ensino Fundamental. A ideia era que eles pudessem conhecer e eleger a proposta que mais atendesse às suas expectativas, de acordo com a área do conhecimento que tem mais afinidade. “Algumas instituições de ensino conseguiram estabelecer um leque de opções de itinerários, com várias eletivas e trilhas de aprofundamento. Mas a maioria deverá oferecer dois itinerários, envolvendo duas áreas de conhecimento para que os estudantes possam escolher aquele que mais se identifica”, explica.

Os dirigentes afirmam que a mudança está sendo bem recebida pelos estudantes, pois ganharam protagonismo para construir a sua formação. “Teremos alunos mais interessados e engajados no processo educacional e isso elevará a qualidade da educação”, projeta Almeida. Flexa acredita que para os alunos será gratificante estudar temas de seu interesse e o Ensino Médio será uma experiência relevante.

Ao longo da implementação desse novo currículo, nos próximos anos, os educadores defendem que as instituições sigam ouvindo a comunidade escolar. “Manter o diálogo entre os atores do processo educacional é fundamental para que o percurso escolar seja significativo e prazeroso”, pontua Almeida. Ele também salienta a importância de ter uma atenção nos aspectos financeiros da escola, considerando as demandas de investimentos na formação da equipe e no aprimoramento da infraestrutura da escola.

Ainda sobre a área administrativa, Flexa lembra que é preciso ter um cuidado com os softwares de gestão escolar. “A Reforma curricular e a oferta simultânea de Itinerários diferentes trará nova complexidade para os sistemas de gestão de notas. A tendência é de uma progressiva personalização. A variação de componentes curriculares não se dará apenas entre séries. De agora em diante haverá diferenças também entre turmas de uma mesma série. Como a Reforma Curricular é obrigatória por lei federal, e tem abrangência nacional, passa a ser dever das empresas de software gerencial apoiar as escolas antecipando essa flexibilização”, pontua.

Os alunos que estão nos segundos e terceiros anos, em 2022, seguirão no currículo antigo do Ensino Médio. Para esse grupo de estudantes, Flexa acredita que seria importante um ensino com menos decorebas e fórmulas prontas. “Afinal, a BNCC está posta, e nenhuma das Competências estabelecidas sugere que ao nos aproximarmos do primeiro quarto do século XXI o Brasil ainda convoque os seus jovens a decorar fórmulas. A se considerar as defasagens advindas da pandemia e “o adiantado da hora”, nada justifica que alunos tenham suas trajetórias escolares sobrecarregadas por demandas sem sentido como essa. Urge que páginas como essa sejam viradas e superadas, o quanto antes”, salienta o educador. Para ele é fundamental, também, que nestas duas próximas edições, o Enem deixe de exigir dos candidatos a decoreba de fórmulas.

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