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Especialista analisa o papel da escola confessional na atualidade

Gerente Educacional dos Colégios da Rede Marista, Luciano Centenaro, defende que as escolas religiosas precisam buscar outra maneira de atuação nos dias de hoje

O Brasil conta com milhares de escolas chamadas de confessionais, por pertencerem a igrejas ou confissões religiosas. Segundo um recente estudo realizado pela FENEP sobre dados estatísticos da educação privada no país, essas instituições de ensino representam 0,8% do total das escolas particulares, sendo que o maior número de instituições confessionais está concentrado nas regiões centro-oeste (1,5%) e região sul (1,1%). Assim como está ocorrendo nas demais instituições de ensino, as escolas religiosas também precisam refletir sobre o seu papel na sociedade, hoje, diante de tantos desafios impostos.

Na visão do Gerente Educacional dos Colégios da Rede Marista, Luciano Centenaro, a escola confessional, hoje, precisa buscar outra maneira de atuação. “Por muitos e muitos anos foi possível esperar pacientemente que nossas crianças e jovens viessem até nossos sagrados espaços escolares e pudessem receber os ensinamentos necessários para que professassem sua fé de maneira ética e solidária à luz do evangelho de Jesus Cristo. Hoje, o cenário é outro”, avalia. Para ele, as escolas confessionais precisam estar de “portas abertas” e “em saída”, atuando para além da instituição, contribuindo para uma sociedade que preze pelos valores do evangelho”

“Precisamos de uma escola que possa fazer a diferença por meio do empreendedorismo social, voluntariado e construção de uma economia menos excludente e pautada nas reflexões contemporâneas da nova economia de Clara e Francisco. Uma escola que possa mostrar alternativas para a sociedade, mesmo que esta insista em não disponibilizar as menores condições aos mais necessitados”, defende o educador.

Para Centenaro, é importante que as escolas confessionais possam estender suas campanhas e projetos para fora da instituição. “Verdade que muitas iniciativas são feitas no sentido de minimizar as dificuldades sociais encontradas, principalmente no que diz respeito à assistência social, importante ferramenta para diminuir a dor daqueles que mais sofrem com necessidades básicas. Porém, o que se espera, na minha percepção, é mais do que um olhar “de dentro para fora. Uma escola que não fique apenas na reflexão, mas que ocupe os espaços externos com campanhas, projetos, pesquisas e ações que possam alterar para melhor as condições da comunidade que a cerca”, defende. Ele também acredita que o papel da escola confessional, nos dias atuais, é, também, de ser um espaço para quem pensa diferente. “Precisamos de uma instituição que não seja autoritária com o saber e que compreenda a natureza das diferentes formas de pensar”, ressalta.

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