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Fenep avalia mudanças propostas para o Enem de 2024

No início deste mês, o Ministério da Educação (MEC) e o Conselho Nacional de Educação (CNE) divulgaram documentos com informações sobre a estrutura do novo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que será aplicado a partir de 2024. O primeiro dia de provas será de questões obrigatórias para todos os candidatos. Serão cobradas habilidades em Matemática, Língua Portuguesa e Redação. O segundo dia será dividido em quatro blocos: Linguagens, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Matemática, Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; e Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. O candidato deverá escolher um deles, de acordo com o curso superior de interesse. Os novos parâmetros do exame foram construídos por um grupo de trabalho do qual a FENEP fez parte.

A Federação avalia como positivas as mudanças que serão realizadas, pois a matriz do concurso está coerente com a reforma curricular do novo Ensino Médio. “A terminalidade do Ensino Médio e a própria faixa etária fazem emergir, em cada jovem, o questionamento acerca do seu Projeto Pessoal no médio prazo, após a escola. A Reforma Curricular prevê que o trabalho de orientação profissional seja organizado pelo componente Projeto de Vida, que ganha centralidade no novo currículo. Prevaleceu a sábia decisão de que cada bloco do exame integrasse diferentes Áreas do Conhecimento em função de determinadas Áreas de atuação profissional. A opção por esse desenho para conceber a estrutura de cada bloco do exame foi acertada”, avalia o diretor da FENEP e coordenador do Colégio de Assessores Pedagógicos do Ensino Privado (CAPEP), Pedro Flexa.

No entendimento da FENEP, é desejável que a segunda etapa de avaliação do Exame, que focará nos Itinerários Formativos, ofereça aos estudantes uma diversidade de blocos cada vez maior, mas de forma gradativa, instalada a médio e longo prazos. “Deve-se ponderar o grande desafio que a instauração dessa variedade trará para escolas, editoras de material didático e para o próprio INEP, que deverá expandir o banco de itens para cada novo bloco que se crie na segunda fase. Assim, nesse momento inaugural teriam bastado três blocos: Ciências Sociais e Humanidades; Engenheiras / STEM; e um terceiro bloco voltado a Carreiras Biomédicas”, avalia Flexa.

Para o dirigente, os Itinerários Formativos e eventuais aprofundamentos não devem ser confundidos com uma iniciação prévia ou com o ciclo básico de qualquer graduação. “Por isso, cabe amadurecer a reflexão acerca do que se entende pelo termo ‘aprofundamento’: em quaisquer de suas versões, as matrizes do Enem devem focar o determinado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Mesmo na segunda fase do exame, a investigação do domínio das competências e habilidades estabelecidas deve se ater ao que todo e qualquer estudante brasileiro precisa saber”, pontua Flexa.

O dirigente ressalta a importância de não sobrecarregar o Ensino Médio com conteúdos que deveriam estar na graduação. “Convém proteger o Ensino Médio do excesso de exigências próprias das graduações. Certas atribuições e responsabilidades devem ser da Universidade”, reforça. Para isso, ele acredita que as universidades terão papel importante. “Elas devem estabelecer critérios de ingresso que não tragam consequências disfuncionais para o currículo, deixando as escolas livres para inovarem e conceberem, cada uma delas, seus itinerários formativos”, afirma.

Flexa ressalta que a FENEP tem plena convicção de que a flexibilidade curricular abre oportunidade para que as escolas possam experimentar e testar as inovações que proporcionarão aos alunos uma escolaridade pertinente e voltada para o mundo em que viverão. “Ao mesmo tempo, a diversidade curricular promove liberdade de ensino, de pensamento e de expressão, fatores promotores de democracia. Após décadas de currículo unificado e padronizado, cabe reconhecer a pertinência e o mérito dos encaminhamentos já impressos, que possibilitarão ao estudante brasileiro o direito de escolher”, destaca. Diante desse cenário, ele acredita que, quanto mais diversificado for o Ensino Médio, maiores serão as opções ao alcance dos estudantes. “Uma vez dado esse importante passo, convém assegurar que as próximas etapas da consolidação do Exame evoluam de modo a induzir a instalação de itinerários adequados ao estudante do Ensino Médio. Esta Federação está pronta para participar, trazendo novas contribuições da Educação Básica”, destaca o dirigente.

Clique aqui e leia a análise completa do CAPEP sobre a proposta do novo ENEM

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