SIGA A FENEP NAS REDES

Jogos para ensinar educação financeira fazem sucesso entre os estudantes

Seis em cada 10 brasileiros admitem que quase nunca dedicam tempo para controlar as finanças pessoais, e 17% dos consumidores afirmam que frequentemente precisam usar cartão de crédito, cheque especial ou até mesmo pedir dinheiro emprestado para conseguir pagar as contas do mês, segundo pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O reflexo da falta de planejamento financeiro é evidenciado no percentual de brasileiros endividados, que em abril desse ano chegou a 77,7% segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic), da Confederação Nacional do Comércio. O cenário mostra o quanto a educação financeira precisa ser ensinada desde os primeiros anos da vida escolar. Mas, falar do assunto para crianças e adolescentes nem sempre é uma tarefa fácil. Primeiro, porque os próprios professores possuem pouco conhecimento sobre o assunto e, segundo, porque muitos tem dificuldade em traduzir os conteúdos técnicos e muitas vezes densos, para uma linguagem simples e atraente para os estudantes.

O Externato Nossa Senhora do Sagrado Coração, de São Paulo, resolveu esse problema utilizando uma ferramenta bastante conhecida pelos alunos: os jogos. Desde fevereiro deste ano a escola utiliza a plataforma de educação financeira da B25, que oferece além de materiais didáticos para alunos e professores, um game interativo que trabalha 110 conceitos financeiros e socioemocionais, amparados na BNCC. Para ministrar as aulas, os professores recebem todo o suporte, como manual e livro com dicionário prático e capacitação com aulas em EAD.

A coordenadora pedagógica da escola, Iara Abel Fernandes, conta que o game é utilizado nas aulas de Matemática, onde os estudantes calculam o dinheiro que ganham ou deixam de ganhar em cada fase. Os jogos simulam as situações do dia a dia adaptando a linguagem infantil. Os alunos são desafiados, por exemplo, a fazerem compras no mercado, onde analisam os itens conforme seu orçamento. Em outra tarefa, eles são convidados a montar a sua casa comprando itens como eletrodomésticos, móveis, alimentos, aprendendo conceitos como planejamento, autogestão das compras e senso crítico. Além do game, os estudantes contam com um livro /dicionário financeiro que auxilia na compreensão dos conceitos financeiros. “Explicamos, por exemplo, que necessidade é algo que você precisa ter para sua vida, como adquirir uma escova de dente, caso não compre você gastará mais moedas indo ao dentista”, exemplifica o fundador da B25, Eduardo Curralo, destacando a importância de transmitir o conteúdo de forma lúdica.

Iara conta que o momento da aula sobre educação financeira é esperado com euforia pelos estudantes. “Eles contam os dias para chegar a próxima aula para jogarem a próxima fase”, comenta. Ela ressalta que um dos diferenciais desse trabalho é envolver também as questões socioemocionais. “A ferramenta faz com que os alunos trabalhem a ansiedade, o autocontrole, a tomada de decisão e lida com a frustação caso o aluno tome a decisão errada durante o jogo”, destaca a coordenadora. Mesmo com pouco tempo de uso da plataforma, ela relata que os resultados já são observados em casa. “Os alunos já argumentam com os pais as decisões que precisaram tomar durante os jogos e quais foram as consequências de cada uma delas”.

Para avaliar o desempenho dos estudantes em cada etapa do jogo, a plataforma oferece um relatório completo, em tempo real, avaliando inclusive as habilidades dos alunos em cada fase do game. Na avaliação de Curralo, a plataforma facilita a vida do professor, não só na educação financeira mas em outros conteúdos nos quais o jogo pode ser aplicado. O programa está focado inicialmente para crianças de 5 a 11 anos, Fundamental I, mas a empresa já planeja ampliar para os demais níveis de ensino, inclusive no Ensino Médio.

LEIA TAMBÉM