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Mudanças no mercado de trabalho exige adaptações nos currículos das IES

Especialistas apontam necessidade de uma maior aproximação entre mercado e academia

Nos próximos cinco anos apenas 11% do trabalho que existe hoje vai permanecer igual, 38% será automatizado e mais da metade, ou seja, 51% será reconfigurado. Os dados foram apresentados pela Diretora Executiva de Talentos e Organização / Potencial Humano para Mercados Emergentes e América Latina na Accenture, Patricia Feliciano no VII Congresso de Educação da FENEP, que ocorreu no início de julho. Ela participou do painel “Adequações dos Currículos em relação ao mercado de trabalho nas IES”, ao lado do Assessor da Presidência da ABMES e Pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento do UniFOA, Max Damas. O debate teve a mediação do Reitor da UNICV, Diretor do Colégio Axia e Coordenador de Ensino Superior da FENEP, José Carlos Barbieri.

Clique aqui e assista ao painel na íntegra.

Os especialistas discutiram sobre as principais mudanças no mundo do trabalho nos últimos anos e as estratégias que devem ser adotadas pelas instituições de ensino para acompanhar essas transformações. Em sua fala, Patrícia trouxe estudos que mostram a evolução do mercado de trabalho nos próximos anos e a relação com a tecnologia. Segundo a especialista, até 2025 85 milhões de empregos serão substituídos por máquinas e 97 milhões serão criados a partir da interação entre humano e máquinas. “Isso significa que a máquina não está substituindo o humano, mas sim reinventando a forma como trabalhamos. Não é uma questão de ‘humano e máquina’, mas sim ‘humanos mais máquina’”, salientou. Nesse contexto, o que preocupa as empresas, segundo Patrícia, é o déficit de profissionais formados em tecnologia, que hoje, chega a 408 mil.

Com relação ao futuro, ela trouxe um dado do World Economic Forum, que aponta que 65% das crianças em idade escolar, de hoje, atuarão em profissões que ainda não existem. Diante desse cenário, a especialista citou algumas competências que são consideradas fundamentais: “temos as competências técnicas, que envolvem, por exemplo, conhecimento sobre automação; as funcionais que é saber trabalhar em ecossistema, em colaboração com parceiros, por exemplo; a processual, que envolve a forma de trabalho, pensando em modelos mais ágeis; as competências culturais, que envolve a responsabilidade social das pessoas; e as profissionais que são as habilidades humanas, como empatia, conhecimento”, explicou. Damas abordou, em sua fala, como deve ser a atuação das IES diante desses novos cenários. Para ele, as instituições precisam ter a habilidade de aprender, desaprender e reaprender. “Isso vale para todos, professores, alunos e gestores e envolve flexibilidade e adaptabilidade”, ponderou. Para que isso aconteça, para o especialista é fundamental experimentar e se permitir errar. “O novo exige reconstrução, não está pronto, precisamos elaborar novas formas de aprender. Temos que ter uma mentalidade de construção, de experimentação, de tentativa e erro. A ciência é assim, se faz de erros e acertos”, completou.

Para o pró-reitor, a formação docente é essencial para essa mudança acontecer, assim como os gestores assumirem uma postura de ouvir o que o mercado está precisando. Entre as estratégias que podem ser adotadas pelas IES, Damas sugere que se forme um conselho externo, de representantes das principais empresas da região, por exemplo, para que anualmente avaliem as práticas da universidade, para ajudar nessa atualização. “Precisamos ter vontade de fazer algo novo. As IES seguirão vivas e não obsoletas quanto mais próximas do mercado estiverem”, defendeu o especialista.

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