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Nossa incrível dificuldade de aprender

Por Bruno Eizerik

Aprendemos com a pandemia que fazer planos a médio prazo se tornou uma loteria. Mesmo que tenhamos terminado o ano letivo de 2021, com professores e funcionários vacinados, inclusive com a dose de reforço, e as escolas, com seus alunos nas salas de aula, tendo adotado medidas que as tornam um ambiente seguro, sempre restava a dúvida de como seria 2022. Aprendemos também, durante a pandemia, que lugar de criança é na escola e que só devemos fechar as nossas instituições de ensino em último caso e, se isto for realmente inevitável, elas devem ser as primeiras a reabrir.

E veio o ano novo com a variante Ômicron, muito mais contagiosa, mas ao mesmo tempo menos agressiva, certamente em função da vacinação de nossa população.

Vivemos em um país continental e precisamos respeitar as realidades locais, mas já temos estados na federação que postergaram o início do ano letivo, e antes que isto se torne moda, pois o início das aulas está previsto para as próximas semanas, é preciso lembrar a todos, de alguns fatos muito importantes.

Por melhor que seja o ensino remoto, e a rede privada está preparada para ele, a presencialidade é fundamental para o pleno desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes. Estudos apontam para o aumento das doenças ligadas a psique de nossos jovens em função do período que tiveram de permanecer em casa.

Na rede pública, como se não bastasse a questão educacional, muitas vezes a principal refeição que o aluno faz, é na escola. O aluno não deixa só de aprender, deixa também de se alimentar.

Em decorrência do fechamento das escolas, milhares de alunos deixaram as salas de aulas nos últimos dois anos e não mais voltarão a estudar. O prejuízo que o país terá com as escolas fechadas, somente no ano de os 2020, em função da perda de renda dos alunos, pela sua menor qualificação, é estimado na faixa de 700 bilhões de reais.

Estudos apontam ainda que o número de casos de violência doméstica, contra mulheres e crianças, aumentou com as escolas fechadas. Além disso, como as crianças não estavam frequentando às aulas, descobrir casos de violência contra elas se tornou quase impossível.

Com as escolas fechadas, ou funcionando de forma remota, normalmente a mãe acaba deixando o mercado de trabalho, prejudicando mais uma vez as mulheres, que já enfrentam tantas desigualdades no que se refere à empregabilidade e ao valor dos salários em comparação aos homens.

Voltando a falar em planos, jamais imaginei que seria necessário fazer essa reflexão, acreditei que tínhamos, como sociedade, aprendido a lição, mas nossa memória parece ser mais curta do que pensei.

Senhores governadores e prefeitos, suspender o início das aulas, ou não começar o ano letivo de forma 100% presencial nas próximas semanas é acabar com o futuro do Brasil. Esta lição precisa estar na ponta da língua.

Bruno Eizerik é presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP)

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