Educação jamais será ameaça

Ademar Batista, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep)
28 de junho de 2019 | 05h00


Recentemente um grupo de ex-ministros da educação brasileira se reuniram para apresentar algumas considerações sobre a atual gestão da educação no País. Após o encontro, a maioria dos jornais estamparam em suas manchetes a seguinte conclusão: “A educação é vista como uma ameaça para o governo Bolsonaro”.

Como educador há mais de 30 anos, e liderança da educação privada brasileira, confesso que fiquei frustrado, para dizer o mínimo. Pois as pessoas que tiveram a oportunidade de realmente fazer alguma diferença para a qualidade da educação brasileira, tendo comandado a pasta em períodos onde o setor chegou a receber investimentos da ordem de 6,5% do PIB (Produto Interno Brasileiro), na verdade simplesmente se veem no direito de apontar o dedo.

O País hoje, passados alguns anos, se vê diante de um cenário onde os índices de desempenho da educação são medíocres, escolas precárias, universidades desabando (visite o Fundão um dia), alunos que concluem o ensino médio com grau de proficiência em português e matemática de 9.º ano. Alguns não sabem se quer interpretar o básico da matemática, verdadeiros analfabetos funcionais. Isso sem falar na alta evasão escolar, repetência, currículos desfasados, profissionais sem qualificação para o mercado, professores despreparados, etc. Mas para eles, o governo atual é que é uma ameaça para a educação…

Um país que não tem visão de futuro só pode trazer esse tipo de análise para a mesa, e o surpreendente é darem ouvidos a esses cidadãos, que, a meu ver, deveriam ser responsabilizados pelos resultados de hoje.

A estrutura da educação brasileira é bastante complexa, um país continental, com um sistema desestruturado, onde os três níveis federados têm funções na educação formal, e não conseguem estabelecer sintonia entre suas ações.

Portanto, não é tarefa fácil fazer milagre na educação em tão pouco tempo de governo.

Por outro lado, temos as escolas particulares, que apensar de não receberem recursos públicos, são responsáveis pela formação de mais de 15 milhões de alunos, sendo 9 milhões no ensino fundamental e 6 milhões no ensino superior.

Somos cerca de 40 mil instituições de ensino, que, apesar das inúmeras dificuldades, dos altos impostos, do excesso de burocracia, ainda conseguimos entregar resultados expressivos ao País, com um desempenho comparável aos países da OCDE. Se, com todos estes entraves, entregamos resultados melhores que as escolas públicas, imagina se os governos entendessem o real papel que a escola particular desempenha na formação do Brasil?


Publicado originalmente no Estadão.
 

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