Educadores apostam em modelo híbrido, mas criticam 'homeschooling'

Por Paula Ferreira e Mateus Campos | Do Rio

Desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o governo, em janeiro, modalidades alternativas de ensino ganharam destaque no noticiário, como a educação a distância (EAD) e o ensino domiciliar, também chamado de "homeschooling". Enquanto a primeira é vista como uma alternativa, sobretudo no que diz respeito a potencializar o acesso ao ensino superior, a segunda é encarada como uma configuração que pode trazer um ônus maior do que o bônus.

Apresentada como uma das metas principais dos cem primeiros dias de governo, a educação domiciliar, na opinião dos especialistas, pode dificultar a promoção de uma formação global para os estudantes. Eles dizem ainda que ensinar as crianças em casa pode impedir o desenvolvimento de competências importantes para a sociedade contemporânea. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos elabora um projeto para enviar ao Congresso a fim de regulamentar a prática no país.

"Ser contra é sempre uma posição radical. As famílias têm seus valores. Mas se pensamos que a educação para o século XXI exige habilidades socioemocionais, isso só se aprende com o outro. Se a criança ficar em casa com os pais, ela perde essa oportunidade", opinou Mozart Neves Ramos, diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna.

O presidente do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), Andreas Schleicher, ponderou que é difícil que a educação em casa seja eficiente. "Os professores são especialistas em educação, estudaram para isso, treinaram para isso e, ainda assim, é muito difícil educar. Temos evidência de que foram pouquíssimos os casos de homeschooling que deram certo. Ir à escola é uma experiência muito importante que as crianças precisam vivenciar. Entrar em contato com ideias diferentes, culturas diferentes. No mundo atual, deixar isso de lado é um preço muito alto a se pagar."

Segundo dados do último Censo da Educação Superior, divulgado em 2018, 21,2% das matrículas nessa fase de estudos estão na modalidade a distância. Esse tipo de ensino teve um crescimento de 226% em comparação com a década anterior.

"O Brasil tem 18% de jovens de 18 a 24 anos no ensino superior, é um percentual muito baixo", disse Ramos. "O crescimento que vejo no acesso ao ensino superior é também por educação a distância, precisamos criar mecanismos que promovam a qualidade dessa modalidade. Na minha opinião, os cursos do futuro serão um modelo híbrido entre presencial e a distância."

Em 2017, mais de um milhão de estudantes ingressaram na educação superior na modalidade a distância. O número corresponde a 33% do total de ingressos nas universidades do país. Ainda assim, o censo revela que apenas um quarto das vagas disponíveis para ingresso em EAD está preenchida.

As informações são do Valor Econômico

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