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O acolhimento deve fazer parte do plano de ensino da escola

Estamos completando um mês do retorno às aulas presenciais e a palavra que marcou o reinício deste ano letivo foi ‘acolhimento’. Direção, equipe pedagógica e professores trabalharam intensamente para acolher as crianças e adolescentes, neste retorno, depois de quase dois anos longe da escola. Além dos prejuízos com a falta do convívio escolar, muitos alunos viveram situações difíceis nesse período, como perda de familiares, dificuldades financeiras da família, crises devido ao isolamento social. “Cada um viveu de um jeito muito peculiar a pandemia e precisamos olhar com atenção e cuidado para essas diferentes realidades”, alerta a psicopedagoga e pesquisadora da PUCPR, Isabel Parolin.

Para a especialista, o acolhimento não deve estar presente só nesse início de ano letivo, mas ao longo de todo o ano, de forma permanente, como parte do plano de ensino. “Deve ser um compromisso da escola. O acolhimento mora no mesmo lugar que o cuidado, brincam juntos no mesmo quintal. Entendo o cuidado como uma atitude de ocupar-se, de zelo e desvelo, de envolvimento afetivo”, reforça a pesquisadora.

Isabel alerta que não resolve buscar o acolhimento quando o estudante já está quase saindo da escola. “Ninguém evade de um lugar em que tem sentimento de pertença, se sinta visto, ouvido, percebido e onde se aprende”. Para que a escola tenha esse olhar atento aos estudantes, ela sugere que cada professor seja responsável por um grupo de alunos. “O professor precisa observar esse aluno, ter uma atitude de zelo, conversar com ele, saber por que faltou aquela aula, por que não está participando no grupo. Precisamos olhar também para aqueles que ‘não dão trabalho’. A escola ganha muito quando se preocupa com isso”, salienta a psicopedagoga.

As situações vividas nesses dois últimos anos, em função da pandemia, atingem diretamente a aprendizagem, por isso, a importância de um olhar atento e cuidadoso para cada estudante. “O movimento de aprender está cheio de emoções e motivações, como disponibilidade de fazer o que é preciso, coragem de se expor, sentir-se capaz e seguro e achar que tem condições. Não se pode imaginar nenhum processo de ensinar/aprender que não esteja revestido de um clima afetivo emocional favorável à aventura, para muitos perigosa e desestabilizante”, explica.

E como trabalhar a motivação para a aprendizagem, nesse retorno ao presencial? Para Isabel, o segredo é fazer com que os estudantes sejam participativos, que sejam estimulados a pensar. “A proposta de aula em que o professor apresenta o conceito e depois pede para os alunos fazerem um exercício é um modelo chato que não motiva ninguém. Precisamos fazer os alunos pensarem, assim potencializamos esse estudante, mostramos que a voz dele é importante no grupo”, defende.

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