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Os Itinerários e a Matriz do ENEM

Por Pedro Flexa Ribeiro

Dentre os propósitos da Reforma do Ensino Médio, destaca-se a necessidade de que venham a ser propostas aos estudantes experiências escolares plenas de sentido e relevância. Esse objetivo será alcançado, em grande parte, pelo “Projeto de Vida”, componente curricular voltado para a Orientação Profissional do Jovem. De fato, na medida em que se estabelece o diálogo entre os conteúdos e o seu Projeto Profissional o aluno passa a enxergar o sentido e a razão de ser de boa parte do que lhe é apresentado no Ensino Médio.

Ainda que prematuro e provisório, o primeiro esboço de seu Projeto de Vida permitirá que o aluno exerça suas primeiras escolhas, ao eleger um Itinerário Formativo que corresponda aos seus interesses e vocações. Por esse caminho, ele estará aprendendo a fazer escolhas, uma importante aprendizagem a ser feita e ensinada na Educação Básica.

Para isso, é importante que a escola venha a lhe apresentar um repertório de escolhas cujos contornos sejam pertinentes e aderentes a determinados grupos de carreiras afins ou a Áreas de atuação profissional. Por essa razão, na perspectiva da escolha a ser exercida pelo estudante, o melhor recorte para conceber a identidade de cada Itinerário Formativo é, sem sombra de dúvida, pelo agrupamento em torno de determinadas Áreas Profissionais.

Sabemos que documentos legais e normativas emanadas pelo Conselho Nacional de Educação referem-se também a conceitos como “Eixos Estruturantes” e “Áreas do Conhecimento”. No entanto, os encaminhamentos do CNE tiveram a sabedoria de deixar em aberto a possibilidade de escolas e educadores imprimirem o desenho que lhes pareça o mais adequado ao público que atendem.

Portanto, restringir-se ao explicitado nas normativas é, além de apego literal e ortodoxo, um equívoco que subtrai aos estudantes a possibilidade de uma experiência plena de significado.

Por essa razão, é muito importante que as futuras matrizes do ENEM sejam concebidas de forma a induzir nas escolas a elaboração de Itinerários orientados por carreiras. Nesse desenho, o MEC, INEP, Universidades Federais e demais entidades terão muito a contribuir.

Tal demanda está longe de remeter a especificidades dessa ou daquela rede: pelo contrário, corresponde ao mais legítimo interesse de alunos tanto da escola particular quanto da rede oficial, além dos que aspiram à Universidade e os que buscam o ensino Técnico Profissionalizante.

Por esse caminho, estudantes de todo o país terão acesso a trajetórias escolares que dialoguem de forma direta com o seu respectivo Projeto de Vida. Dessa forma, a Reforma pretendida será mais plenamente alcançada.

Pedro Flexa Ribeiro – Coordenador do Colégio de Assessores Pedagógicos da FENEP

Publicado também no Estadão | Fausto Macedo – 19 de fevereiro 2022 – https://bit.ly/3p0161g

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