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Pátria de Cadernos

Bruno Eizerik, presidente da FENEP

Passamos pelas eleições, a Copa do Mundo acabou para nós brasileiros, mas a partir de 1º de janeiro, como em cada virada de ano, se renovam as esperanças. Não é só uma mudança de ano, temos a mudança de comando no Governo Federal e em alguns estados da federação. Não tenho dúvida de que precisamos de políticas de Estado para educação, mas como não existe esta cultura em nosso país, isto é, o governo que entra tem o hábito de começar do zero – não valorizando o que foi feito pelo anterior –, renovo a minha esperança de que finalmente sejamos “o país do futuro”, expressão que ouvi pela primeira vez quando ainda estava no antigo 1º grau, nos anos setenta.

Governantes reeleitos e aqueles que tomam posse neste ano novo, só existe uma maneira do seu governo ser lembrado para sempre como um grande governo, de você ser reverenciado como uma estadista: invista e tenha a educação como seu principal objetivo. Preciso avisá-los, porém, que este reconhecimento não se dará ao final do seu governo, pois trata-se de um investimento cujos resultados aparecem apenas a médio e longo prazos. Entretanto, vale o alerta que negligenciar a educação tem o poder de destruir uma nação rapidamente.

Aproveitando que o mundo árabe está em alta, com a realização do campeonato mundial de futebol no Catar, há um ditado muito interessante, que diz: “quem planta uma tamareira, não comerá suas tâmaras”. O dizer faz referência ao longo tempo de espera para frutificação da planta, que leva de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos. De igual maneira ocorre com os investimentos em Educação: o empenho precisamos fazer – e precisamos muito fazê-lo –, dará resultados que só serão saboreados em, pelo menos, uma década.

A formação de nossas crianças e jovens precisa de atenção urgente, sob o risco de serem condenados à uma subclasse social e ao fracasso socioeconômico. É lamentável que milhões de alunos que concluíram os ensinos fundamental e médio de maneira precária durante a pandemia tenham sido simplesmente esquecidos. Além disso, deixamos de alfabetizar 2,5 milhões de crianças e é prioritário que os olhos sejam voltados para elas em um esforço coletivo que envolta a sociedade civil, prefeituras, governos estaduais e federal.

É alarmante que tenhamos no Brasil três em cada 10 pessoas com mais de 15 anos consideradas analfabetas funcionais, outra realidade que nossos governantes precisam estar atentos. Sem educação não temos um alicerce para crescer economicamente e para nos tornarmos a potência mundial que almejamos ser.

Não há problema que a cada quatro anos sejamos a pátria de chuteiras e que, nesse mesmo espaço de tempo, as campanhas políticas falem em educação – algo que ficou em segundo plano neste ano. O importante é que, a partir de 1º de janeiro de 2023, possamos nos orgulhar de sermos a Pátria dos Cadernos. Nosso sonho, muito maior do que o título de hexa campeão de futebol, é ultrapassar Luxemburgo, o país que, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mais investe, de forma competente, por aluno na Educação Básica. Ainda faltam alguns dias para o ano novo, mas a busca por este sonho já começou.

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