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Precisamos aprender a conviver

Bruno Eizerik, presidente da FENEP

Nas últimas semanas assistimos dentro e fora de nossas escolas ações de alunos que refletem o momento que vivemos em nosso país. É um período conturbado, com ânimos acirrados, e muita dificuldade de as pessoas simplesmente ouvirem umas as outras.

A escola é um local sagrado e precisamos, sob pena de começarmos um processo irreversível, preservar a integridade de nossas salas de aula como um local de aprendizagem e convivência pacífica. Entretanto, a escola não está em uma bolha e vivemos reflexos do mundo que nos cerca.

O que antes se cochichava no ouvido de um colega – o que já não era certo –, agora, com uma postagem ou vídeo nas redes sociais ganha repercussão imediata e mundial. Racismo, xenofobia ou qualquer tipo de discriminação são questões que precisamos tratar nos bancos escolares, pois nossos estudantes são bombardeados não só pela desinformação, mas, muitas vezes, pela má informação.

As nossas crianças e adolescentes repetem na escola o que ouvem em casa e nos outros ambientes que frequentam. Aliás, é sempre bom lembrar que educação vem de casa. Se, por um lado, vivemos um momento conturbado na sociedade, por outro, notamos uma grande dificuldade dos pais em colocar limites nos filhos. A escola sempre será parceira e faz questão de contribuir, mas a família não pode delegar para o ambiente escolar a função de educar uma criança. É impossível para a escola ensinar todas as regras de convivência – e, por óbvio, conteúdos – para uma criança ou adolescente que não tem educação.

Não podemos confundir liberdade com baderna e, como escreveu Renato Russo, “disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza, ter bondade é ter coragem”. Precisamos ensinar nossas crianças e adolescente a semear a compaixão e a bondade e não a cultuar o ódio seja de que lado que ele venha.

A escola precisa ser respeitada no seu papel de ensinar e vista não só como um local de apreender a aprender, mas também como um local de aprender a conviver com diferentes opiniões. Respeitar estas opiniões, neste momento, talvez seja o maior aprendizado.

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