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Relatório da Unesco propõe um novo contrato social para a educação

Material foi apresentado em painel no VII Congresso de Educação da FENEP

Qual papel a educação pode desempenhar na formação dos cidadãos? O que devemos continuar fazendo? O que devemos deixar de fazer? O que é preciso reinventar? Foi com o objetivo de encontrar respostas para esses questionamentos que a Unesco reuniu especialistas no mundo inteiro durante dois anos. O resultado dessas reflexões está no Relatório “Reimaginar nosso futuro juntos, um novo contrato social para a educação”, apresentado no VII Congresso de Educação da FENEP, no dia 1 de julho. O painel contou com a participação da Coordenadora do Setor de Educação da UNESCO no Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes e a mediação da Vice-Presidente da FENEP e Vice-Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Amábile Pacios.

Clique aqui e assista ao painel na íntegra.

Maria Rebeca contou que o material foi produzido a partir da necessidade de se criar um novo contrato social para a educação, a fim de se corrigir as injustiças do passado e transformar o futuro. “O relatório evidencia a necessidade urgente de repensar a educação frente aos desafios da atualidade. E traz dados que justificam essa necessidade, como índices altos de abandono escolar, de analfabetismo funcional, agravado pela pandemia da Covid-19”, salientou a coordenadora. Para a produção do material, participaram mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, entre especialistas, profissionais de educação e estudantes, que compartilharam suas ideias por meio de webinários temáticos.

Segundo a coordenadora da Unesco, o relatório aborda questões sobre a aprendizagem, como por que aprendemos, o que devemos aprender, como devemos ensinar e aprender, ou seja, os métodos utilizados, e como devemos organizar os espaços de aprendizagem. Entre as conclusões do documento está que deve haver uma transformação na educação, considerando três grandes mudanças recentes nas sociedades, relacionadas à globalização, à mudança climática e à revolução digital. A partir desses cenários, o relatório defende que a educação seja baseada em direitos humanos e respeito à diversidade cultural; a integração da educação ambiental esteja presente em todos os programas escolares; e o ensino de ferramentas digitais remotas para incutir tanto o domínio técnico como o senso crítico necessários ao seu uso adequado.

Maria Rebeca antecipou que a Unesco está organizando uma Cúpula da Educação Transformadora, que será elaborada na sede das Nações Unidas, em setembro deste ano, com a participação de ministros da educação de todos os países membros da ONU. O objetivo é implementar a recuperação da educação no pós-pandemia e transformar a educação trazendo a pedagogia da colaboração e da solidariedade.

A especialista acredita que a escola particular pode ser parceira da educação pública, contribuindo para a diminuição das diferenças entre essas duas áreas. “Alem de promover espaços de diálogos entre a rede pública e a privada, as escolas particulares poderiam compartilhar materiais e parte do conhecimento produzido”, sugeriu. Outra forma de fazer esse trabalho, na visão da especialista, é promovendo dentro de seus espaços privados discussões a respeito de temáticas como inclusão, diversidade, mudanças climáticas e igualdade de gênero. “A escola precisa promover uma educação que forme um cidadão global, que ele consiga interagir na sua comunidade. Essa é a visão de educação da Unesco para a educação”, salientou a palestrante.

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