Desafios da formação de professores são discutidos em live da Fenep

A necessidade de se investir em formação continuada e caminhos para garantir a qualificação do corpo docente nas instituições de ensino foram abordados em live promovida pela Fenep, no canal do Youtube, na terça-feira (14/06). O bate-papo foi mediado pela presidente em exercício da FENEP e vice-presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, Amábile Pacios, e contou com a participação da Doutora em Educação e Ex-Conselheira do CNE, Guiomar Namo de Mello, e da Cofundadora e VP Acadêmica do Educbank, Lara Crivelaro. Clique aqui para assistir a live na íntegra.

Em sua fala, Amábile lembrou que a formação de professores é uma responsabilidade muito grande do ensino superior privado, uma vez que 78% das matrículas estão no setor particular. Para ela, o tema se tornou ainda mais importante depois da pandemia, pois além da recuperação das aprendizagens, os professores precisaram trabalhar as questões socioemocionais. Neste ponto, Guiomar acredita que os docentes têm um grande desafio, porque está acima da pedagogia que eles aprenderam a fazer.  “Estamos diante de um panorama novo, o país nem o mundo têm experiência com essa realidade, nem um conjunto de conceitos que possam nos ajudar a explicar o que está acontecendo”, pondera a especialista.

Diante desse cenário, Guiomar acredita que não há nenhuma tarefa mais urgente e importante, hoje no Brasil, do que investir na formação de professores, incluindo, também, esses aspectos socioemocionais. Ela defende que conteúdos de Psicologia, Filosofia e Sociologia deveriam ser aprofundados na formação inicial dos professores. Ao falar sobre a realidade das escolas particulares, e dos professores em atuação, a especialista entende que cabe um trabalho de sondagem junto aos docentes. “O objetivo é identificar suas deficiências, compreender como esse professor articula as questões socioemocionais, para poder entender como ele vai trabalhar isso com os alunos e buscar a formação continuada mais adequada”, defende.

E na hora de escolher um curso de formação, estudos mostram que três elementos são fundamentais e devem constar no programa, segundo Guiomar: 1) momentos de aprendizagem colaborativa, ou seja, espaços para aprender no coletivo; 2) não separar o conteúdo do método pedagógico; 3) aprendizado por meio de metodologias ativas, e isso inclui aprender a fazer um projeto, construir conhecimento por meio de investigação, aprender a integrar o conhecimento, trabalhar de forma interdisciplinar e transdisciplinar.

A Cofundadora e VP Acadêmica do Educbank, Lara Crivelaro, lembrou que o tema da formação continuada ganhou destaque com a Base Nacional Comum de Formação de Professores e o que está por trás dessa proposta é a didática, a empatia e a colaboração. Para ela, esse assunto assumiu ainda mais relevância depois da pandemia, especialmente no que se refere às competências digitais, que ainda são um desafio para muitos professores.

A diretora cita, ainda, outros desafios que envolvem a formação desses profissionais, como adquirir experiências práticas de aprendizagem, buscar o protagonismo da formação profissional ao longo da vida, ter a capacidade de inovar na resolução de problemas complexos, liderar as mudanças necessárias nos espaços educacionais e atuar como cidadãos digitais.

Para ela, o primeiro passo para dar conta desse cenário é atualizar o currículo dos cursos de Pedagogia. “Precisamos dar um passo atrás e inserir no curso de formação tudo o que queremos trabalhar com os alunos, para aprender fazendo”. Outro ponto importante para a diretora é a valorização da carreira docente. “Enquanto não tivermos uma percepção do quanto o magistério é importante para a sociedade e a formação do professor precisa ser cuidada, não vamos avançar. A base do que queremos para o país vem da formação dos professores”, destacou.


SRTVS Qd 701, BLC 2 Centro Empresarial Assis Chateubriand Salas 207 a 213 CEP:70340-906- Brasília DF