Dias melhores virão

Zuleica Reis Ávila

Dias sombrios passam por nós com tênues passos dados por enfraquecidas pernas que buscam apenas por um “Norte”. É preciso nos consultarmos uns aos outros frequentemente, seja na busca de recursos científicos e políticos ou nas múltiplas e táticas para a guerra contra os desastrosos invasores. Em setembro, completamos seis meses sem aulas presenciais em Minas Gerais. São seis meses de aflições, inseguranças, contratempos. Assistimos e vivenciamos, com muita tristeza, toda a situação crítica da escola particular mineira, como jamais vimos em toda nossa história. Todos nós, independente da área ou profissão, fomos pegos de surpresa. Jamais imaginaríamos que, um dia, o mundo passaria por algo semelhante, tão fora da normalidade que independente acostumados.

Fortalecermos pela imprescindível robustez da união é imperioso, desde que continuemos de mãos dadas. Tudo isso, graças à nossa força e consciência das necessidades, já estamos fazendo, ainda que até agora o inimigo ainda exista. Ele tem números, nome, embora a cara se esconda por trás das máscaras da invisibilidade a olhos nus, e suas ações na cidade e no mundo são tremendamente nocivas. Nossa defesa mais efetiva tem sido o afastamento social, penosamente conseguido por confinamento, cada vez mais escasso. Aglomerações voltam a tomar o país e nossas escolas continuam fechadas, esperando a boa vontade dos órgãos públicos. Não estamos medindo esforços para sermos vistos, ouvidos, atendidos. O caminho é árduo, mas desafios não nos desanimam, ainda mais quando o desafio é a Educação.

Nós, escolas, estamos agora no chão de uma excepcional e adversa realidade e neste chão que estamos aprendendo a andar. Usualmente, os filhos que hoje estão em casa são nossos alunos na escola e, neste momento de exceção, eles são nossos alunos no lar. No fundo, no fundo, de fato, filhos e alunos são alunos e filhos, e pais e professores são professores e pais. Esse é o misterioso e emocionante capricho da existência. Simples assim.

Atentemos para algo que muitas vezes nos passa desapercebido: educa-se para a vida e pela vida. Há uma pedagogia do lar, a da escola e a das ruas. As três preparam para a vida, mas a vida também educa, para que o aprendiz - e todos somos aprendidos pela vida afora - cresça e se desenvolva cada vez mais, a seguir pelos caminhos do infinito. Nos processos educacionais, o fim da educação do lar e da escola, e, porque não, o das ruas, é para que os educandos saibam viver bem a vida e a vivam cada vez melhor. Maravilha: em educação, o fim é o meio, mas o meio é também o fim.

Educação é essencial para a vida. Por isso, como crianças inquietas num emaranhado de descobertas e situações inusitadas, esperamos respostas. São muitas, de incontáveis ​​ofícios, encaminhamentos, reuniões, plenárias, audiências que vivenciamos nesses 6 meses. Não queremos impor por um retorno sem segurança, é irresponsável se atrever por este caminho. Nada é mais valioso do que a vida. Queremos diálogos, respostas, mudanças. Queremos acompanhamento de perto e sermos incluídos no debate para projetarmos nosso futuro, comunicarmos com segurança nossas famílias, estudantes, professores, coordenadores, funcionários e diretores.

São seis meses de trabalho incansável para dar respostas, buscar informações, construir pontes, ouvir todas as escolas, suas complexidades e particularidades. São seis meses de exaustão, mas também de esperança de que tudo isso vai passar. Vamos continuar nosso processo na cadência de sair da escuridão e entrar na claridade. Já estamos na penumbra e nosso caminho precisa estar claro. Partamos para a vitória.

Caminhemos juntos e sempre.

Fonte:  Estadão

Publicada em:  https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/dias-melhores-virao/

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